Cartas a Ofélia

Cartas a Ofélia
Cartas a Ofélia

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Reboliços de Umbigo


E se eu enlouquecer?
Você vem comigo?
Mergulha no vazio do infinito?
No sino que grita no reboliço do meu umbigo.
Vamos fugir?
Juntos!
Só eu e você.
Estardalha reboliço
Grito
Zumbido
Prazer
Liberdade que inspira
Aqui o ócio morreu de tédio criativo
Gritos e gemido me enchem de prazer
Vem me levar pra festa!
Elogia minha bobagem de simplesmente querer ser sua.
Me faz acreditar, mesmo que por um instante, que o tempo não vai passar, nem nunca a morte chegar.
Silêncio

Eu te quero!
Pra hoje basta estar, aqui presente, no meu infinito particular.

Elaine Belmonte



quinta-feira, 21 de março de 2013

Ontem fomos assistir a apresentação do OFF_élias com o grupo da EAD, foi uma experiência interessante pra nós! muitas ofélias, cada um com sua criação, noivas, loucura! Depois participamos de uma Jam com os atores e o diretor, muito bom ouvir suas criações e experiências!! Valeu Matheus pelo convite!
obrigada Ofélias!!!

segunda-feira, 2 de julho de 2012


Tecendo Cartas 



Nas últimas três semanas, ondas de sentimentos tomaram conta de nossos corpos. Lágrimas que se misturam  entre angústia e felicidade, atriz e personagem , decepção e determinação ameaçam e escorrem.
Livros, rabiscos e textos tomam conta de nossas escrivaninhas, materiais concretos e palpáveis são apresentados e explorados nos ensaios. Concentração e atenção, nunca foram tão importantes e  palavras simples como ação e personagem tão profundas, confusas e claras.
Como atrizes, devemos compor nossos personagens, seus gestos, suas ações, seus movimentos e intenções. Descobrir de onde vem suas motivações. Ação, contra-ação, contração, expansão,  respiração, primeiro e segundo plano. Atuar é uma arte racional e artesanal. Mas no meio desses detalhes como encontrar a emoção que a cena exige? Como manter a cena viva todos os dias? Calma é necessária e ansiedade só atrapalha na busca eterna que permeia essas respostas.  O mergulho é obrigatório. Nada garante que porque hoje deu certo, amanhã também dará. Recriar pode ser muito mais difícil que criar. Uma vitória pode vir carregada de derrotas e uma derrota carregada de vitórias, tudo depende do olhar de nós sobre nós mesmas.
Cartas a Ofélia está nascendo e já começa a ultrapassar nossas expectativas, uma senhorinha envergonhada, uma costureira contadora de histórias, uma faxineira sonhadora, Elaine, Vanessa, Daniela, Vancllea, Maria, Caroline, Helena, Judith, Lucila, Paulina, Maysa, Lorena, Luiza,  a Rainha Gertrudes e claro o o fio condutor do espetáculo, Ofélia, entre tantas outras mulheres que vem nos escrevendo e dividindo seus pensamentos e angústias  tecem a existência dessa obra, narrando história vividas, escritas, criadas e recriadas de mulheres reais e fictícias.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Primeiro dia oficial de ensaio - cartas a ofélia


15 de junho de 2012

Muita expectativa para o dia de hoje, afinal estávamos há um tempo sem um encontro sério com nossa diretora. Um encontro sério e definitivo!
Agora sim, existe um compromisso, com data marcada. Antes existia o esforço, o comprometimento, a vontade, a esperança.
Hoje temos uma equipe formada por profissionais qualificados e especiais... Resultado: só alegria!
Alegria com aquela pitada de ansiedade. 
Temos tempo, mas o tempo voa. Temos espaço, mas não é definitivo. Temos dinheiro, que não é o suficiente. Mas acima de tudo temos um sonho, e a vontade de vê-lo nos palcos é infinita. E no ensaio de hoje: redescubra o seu corpo! Encontre suas possibilidades e entenda que uma atriz NÃO PODE ficar parada nunca.
E não é que voltamos? Corpo suado, entregue, presente, diferente.
Pés fixos ao chão, busca dos movimentos do tronco que depois de tanta insistência reverbera pelo corpo todo.
Equilíbrio. Temos? Encontramos? Perdemos? Distribuímos? Corpos soltos pelo espaço, estimulados ao desequilíbrio, quedas. Desafiados.
E por falar em desafio, conseguimos imaginar a estrutura desse espetáculo? Falamos a mesma língua? Nem sempre, porém as escolhas são admiráveis.
E então começamos a pensar as estruturas... como começa, como termina, o que falta... enquanto isso as lindas imagens nos enchiam os olhos, nos encantavam,
nos tomavam de vontade, nos banhavam a alma, nos afogavam em Ofélia... era um afogamento coletivo, de mãos dadas, uma loucura consciente e sem hora para acabar. Sim, porque o ensaio acaba, mas as imagens ficam, as idéias saltam, o pensamento não cessa... e agora seremos Ofélias, todas elas, todas as possíveis e imagináveis, querendo falar, contar e dividir sua história.... querendo vida, querendo luz... querendo voz até em silêncio como eu agora.
Estrutura sugerida, o ensaio não acaba... o dia é longo... e nessas horas muito acontece! Texto nas mãos, partituras de movimento. Como é a sua Ofélia? Algumas tentativas... mais... mais...
Resultado: felicidade, satisfação, medo e mais ansiedade, como tem que ser... propostas de cenário chegando... e amanhã a saga continua... em busca da personagem!
Obrigada... 

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Os Loucos de Shakespeare




É ... ao mundo moral que pertence a loucura do justo castigo. Ela pune, pelas desordens do espírito, as desordens do coração. Mas ela tem outros poderes ainda: p castigo que inflige se multiplica por si mesmo, à medida que, punido, revela a verdade. A justiça dessa loucura tem isso, ela é verídica. Verídica, porque já o culpado sofre, no vão turbilhão de seus fantasmas, o que será para a eternidade a dor de seu castigo...Verídica também, porque o crime escondido aos olhos de todos vem à luz na noite desse estranho castigo; a loucura , nessas palavras insensatas que a gente não se domina, entrega seu próprio sentido, ela diz, em suas quimeras, sua secreta verdade; seus gritos falam  por sua consciência. Assim, o delírio de Lady Macbeth revela "aos que não deveriam saber" as palavras que por muito tempo não foram murmuradas salvo aos "ouvidos moucos"
Enfim, último tipo de loucura: a da paixão desesperada. O amor desiludido em seu excesso, os amor sobretudo enganado pela fatalidade da morte não tem outra saída senão a demência. Enquanto tinha um objeto, o louco amor era mais amor que loucura; deixado à sua própria sorte prossegue no vazio do delírio. castigo de uma paixão demasiado abandona à sua violência? Sem dúvida, mas essa punição é também uma mitigação; ela espalha sobre a irreparável ausência a piedade das presenças imaginárias; ela reencontra no paradoxo da alegria inocente ou do heroísmo de perseguições insensatas a forma que se apaga. Se conduz à morte, é uma morte onde os que se amam jamais serão separados. É, a última canção de Ofélia...
Em...Shakespeare, a loucura  ocupa sempre um lugar extremo no sentido de que não tem reindulto. Nasa a conduz jamais a verdade nem a razão.  Ela só se abre para o dilaceramento e daí para a morte. A loucura, em seus vãos propósitos, não é vaidade ; o vazio que a preenche é "um mal muito além do meu conhecimento"' como diz o médico a propósito de Lady Macbeth; já é a plenitude da morte:um loucura que não tem necessidade de medico, mas unicamente misericórdia divina. A doce alegria , reencontrada enfim por Ofélia, não se reconcilia com nenhuma felicidade, seu canto insensato  está tão próximo do essencial quanto o "grito de mulher" que anuncia ao longo doa corredores do castelo de Macbeth que "a rainha está morta"

Michel Foucault, Histoire de la Folie, 1961, p.46-47. [Trad. bras.: História da Loucura, São Paulo, Perspectiva, 1978, pp.38-39.]

domingo, 18 de março de 2012

Entre Elaine e Ofélia


Lágrimas derramadas na madrugada quente. Uma mistura louca de rejeição, ciúmes e decepção. A dor da indecisão.  O arrependimento do envolvimento, o abismo que de repente apareceu. Pular ou não pular, eis a questão. Eu não tenho mais como negar, me sinto como Ofélia, odeio ser como ela, mas escolhi ser ela. Escolhi estar aqui, sonhei com esse dia, sinto medo desse momento, não aguento mais me decepcionar.
Ofélia pulou, mas pulou porque não aguentou a decepção, a rejeição, o arrependimento e a falta de escolha. Na sua época a mulher não tinha opção, se não se casasse seria puta ou freira. Ofélia foi criada pelo pai e pelo irmão para ser uma linda noiva, uma esposa exemplar, porém ao se entregar ao amor do príncipe dinamarquês, Ofélia pulou do abismo e jogou fora o que na época era seu maior tesouro . A Virgindade.
Hamlet, ao se decepcionar com a mãe, generalizou sua raiva a todas as mulheres que se aproximassem dele e Ofélia foi sua maior vítima. FRAGILIDADE SEU NOME É MULHER.
Ok..muita coisa mudou de 1600 a 2012. Mas assim como Ofélia, eu fui criada para o casamento, ainda me imagino vestida de branco, linda entrando na igreja de braços dados com meu pai , meu instinto materno pede pela família perfeita, eu peguei o buquê e guardei as pétalas numa caixinha que foi da minha vó, meu nome estava pregado na barra da saia da noiva.  Mas faltou o noivo, que no meio desse ritual todo talvez não seja o centro das atenções mas sem ele o sonho não existe. Durante os últimos 27 anos muita coisa mudou, tem quem diga que o casamento é uma instituição falida, mulheres lindas entram de branco na igreja como se fossem virgens, pessoas juram em falso perante a igreja católica, que já perdeu seu significado perante muitos,  mas nesse dia todos fingem  amar a Deus e ser fiel acima de qualquer coisa. Hipocrisia? Falsidade? Sonho? Engano? Contradição? Amor? Respeito? Tradição?
Que ritual é esse  mascarado pelas falsas intenções e relações a que somos condicionado a ter, por um falso código de conduta moral e social e que persegue as mulheres a anos? Que força é essa que um vestido branco e um buquê exerce sobre nós? Ofélia morre com flores na mão e de vestido branco. Seria isso apenas coincidência?

Assim como Ofélia eu preciso de carinho e amor;
Assim como ela eu sou uma menina dependente do amor do pai e do irmão;
Assim como ela eu já me entreguei e me decepcionei;
Assim como ela eu amo as flores, principalmente as flores amarelas;
Assim como ela eu não quero ser puta nem santa;
Assim como ela eu já não sou mais moça;
Assim como ela eu não me casei com o príncipe dinamarquês;
Assim como ela eu tenho medo, muito medo;
Assim como ela eu me entreguei antes da hora;
Assim como ela eu escrevi e recebi cartas de amor;
Assim como ela eu já enlouqueci com uma paixão;
Assim como ela eu fui mimada e preciso ser bem tratada;
Assim como ela eu não suporto ser desrespeitada;
Assim como ela eu ignorei os conselhos de quem me queria bem;
Assim como ela eu me sinto louca por sentir demais....
...só que ao contrário dela, mesmo querendo, não tenho coragem de pular do abismo , o sonho do casamento está engasgado na minha garganta e eu preciso falar disso, antes que o palco acabe e meu chão desapareça.


" Amanhã é dia de São Valentim
Bem cedo estarei à tua janela,
Donzela que sou, pra ser Valentina.
Ergue-se ele então, sua roupa veste,
Abre-lhe a porta de seu dormitório.
Donzela ela entrou, mas quando saiu
Não mais era como ali tinha entrado
Por Jesus Cristo  e Santa Caridade,
Coitada de mim! Vergonha, meu Deus!
Se isso o moço faz, tendo ocasião,
Merece, por Deus, censura severa.
- Antes - diz ela - de me derrubar,
Tu prometeste comigo casa.
- Pelo luz do sol, tê-lo-ia feito,
Não tivesses tu, vindo pro meu leito"

domingo, 15 de janeiro de 2012

Vestidos y Cartas

Acabamos de selecionar as sete intérpretes  peruanas que participarão  do projeto vestidos y cartas aqui no Peru. Por isso, decidimos criar um blog especial para esse período no qual essas artistas dividirão conosco parte dessa pesquisa.

O endereço do novo blog é: http://vestidosycartas.blogspot.com/

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

O amor na forma de um vestido

" Eu sempre quis ter uma filha, então eu vestia minha filha como se fosse uma princesa. Eu comprava o vestido mais bonito que tinha no shopping porque você era minha princesinha! Eu gostava de te vestir com a roupa mais bonita, com os panos mais nobres. Você era minha boneca, minha princesa. Por isso, eu comprava esses vestidos lindos. Porque era um jeito de expressar todo o meu amor, meu carinho por você, ai eu ia lá e comprava o vestido mais bonito, o vestido para mim tinha um significado de afeto, carinho, de atenção. Se você era a pessoa que eu mais queria no mundo , essa foi a forma que encontrei de demonstrar esse meu amor. Eu guardei os vestidos porque eu sou uma louca igual a Ofélia. 
Eles representam a época mais feliz da minha vida."

Desde que me conheço por gente minha mãe guarda os vestidos que usei nos meus aniversários de 1 a 8 anos como um tesouro em seu guarda roupa. Numa dessas conversas entre mãe e filha no quarto antes de dormir resolvi perguntar para ela: - Mãe porque você gosta tanto desses vestidos?

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Conte sua História a Ofélia

Conte sua história a Ofélia.



A Obra Cartas a Ofélia está sendo criada a partir de cartas e depoimentos de mulheres. Por isso, pedimos a você, mulher de qualquer idade que contribua relatando um momento em que realmente se sentiu bonita, uma história de perda de um homem querido e/ou alguma experiência, momento ou história que fale da sua relação com seu pai. Faça parte dessa obra que pretende mergulhar rumo a sensibilidade e delicadeza feminina partindo de fatos e histórias reais.



As respostas podem ser anônimas ou assinadas e deverão ser enviadas pelos Correios a Ofélia no Endereço: Rua Jerônima Dias, 114 apt 11 - Mandaqui CEP: 02407-000 São Paulo - SP ou pelo e-mail: ofelias.ofelia@gmail.com

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Vestidos & Cartas

        Ontem tivemos nossa primeira reunião para falar de Vestidos & Cartas, projeto que acaba de ser contemplado pelo edital Iberescena e que proporcionará uma residência artística a nós Ofélias em Lima no Peru, possibilitando a criação de parte do espetáculo Cartas a Ofélia em parceria com artistas locais.



(...) Pela força mágica de um vestido, ela se via presa numa vida que não queria e da qual não seria capaz de se libertar. Como se, no começo de sua vida adulta, ela tivesse tido diversas vidas possíveis entre as quais acabara por escolher aquela que a havia levado para a França. E como se essas outras vidas, recusadas e abandonadas, continuassem sempre à sua disposição e  enciumadas  a espiassem de seus refúgios. Uma delas se apoderava de Irena e a encerrava em seu novo vestido como se fosse uma camisa de força.

Kundera, A Ignorância pp. 29-30



Que essa força mágica do vestido esteja ao nossa lado nessa nova jornada e que ofélia e ofélias  continuem orientando nossos passos! 
Agradecemos  especialmente a Pontifícia  Universidade Católica del Peru e ao espaço El Gálpon que nos apoia nessa jornada.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

"A sensação é de que minha alma sangraria para sempre. Não conseguia chorar, as lágrimas pareciam muito pequenas diante da dor que me consumia.
Então eu, que sempre me considerei forte em função de minha vivência de amadurecimento forçado e na vanguarda de minha própria idade, estava inerte novamente por um coração partido.
E quando assim estava esperando para encarar um destino irreparável, fui arrebatada em tempo pela bagagem que assim a maturidade real em função da simples vivência me proporcionou que, oras, eu continuarei viva! E não, eu não seria capaz de abrir mão de todo o construído como persona individual! Isso me pertence, não sendo perecível ou capaz de ser retirado!
Então, renasci de minha própria existência na escolha de perceber que Deus não é sádico e que eu estava pronta para encontrar a satisfação em mim mesma.
Pois com meu pai descobri a vida, com ele me descobri mulher. E mais do que formas pontuadoras em minha história, vejo esses homens me ensinando que tudo aquilo que procurei neles era algo necessário de ser encontrado em mim mesma."

Trecho da Carta de Caroline Lee

terça-feira, 22 de novembro de 2011

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Foi no silêncio dos seus lábios que encontrai a verdade que jamais poderá ser dita. E foi no encontro com os seus lábios que silenciei a verdade que jamais será compreendida.
Eu amo dançar, mas tenho medo de me machucar
Decidi então, enfrentar e parar de jogar pedras em nosso castelinho de areia, queria que você fizesse o mesmo!
O vidro rachou mais ainda não quebrou!
Estamos na metade da ponte, é nessa hora que o véu cai e começamos a enxergar nossa própria realidade. Sem ilusões, mas cheia de projeções.
E agora? E agora Ofélia Maria Vancllea Vanessa Daniela Ana.......? E agora?

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

pra quem sabe um dia...

 Vem. Me domina por inteiro, me faz entender e acreditar no seu amor, me faz esquecer o que eu não consigo, me convence a deixar pra trás o que eu não quero abandonar. Controla meus impulsos e minhas atitudes condenáveis. 
Ele não me quis. Se quis, nunca soube como me dizer...


segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Clarice Lispector

Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que, por admiração, se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos. 

Ser bela


A beleza se encontra em tantos lugares... temos a beleza física que muitos estudiosos relatam que se encontra na simetria do rosto, e das formas... nos dias de hoje a beleza é o corpo magro, que cabe nas roupas dos costureiros, um corpo sem formas... a beleza pra mim é algo que vem de vários lugares, é a junção do estado da minha própria vida, de aceitar minhas formas como elas são, de perceber que meus defeitos geram harmonia e graça, é conseguir me sentir bem com o que faço é andar no caminho que escolhi independente do que a sociedade me diz, apesar de ser inserida nela, quando isso acontece me sinto realmente bela!
Vejo que as mulheres de hoje querem se igualar aos homens até mesmo pelo corpo, buscando um corpo mais forte, músculos aparentes e fortes, buscando sua independência e afastando a submissão. Posso ser forte também! Posso guiar minha vida! Posso caçar também! Busco minha própria comida! Sou forte também! A força hoje significa ser belo, mas  a força externa é tão importante assim? Será que a força está realmente aí? Algo muito primitivo não? Somos ainda muito primitivos... a beleza está sim na harmonia do homem com seu meio ambiente, com seu próprio ritmo, suas formas aceitas, seu amor exprimido no mundo em que vive, na aceitação da morte como renascimento. A relação que falta hoje é do homem e de onde ele veio, sua própria natureza. Perdemos isso!!! Perdemos nosso próprio ritmo!!! Ser belo é ser harmônico com a vida. É o respeito que temos com nós mesmos, nos amamos e conseguimos transmitir amor, nos respeitamos e conseguimos respeitar. A beleza é presente nas próprias relações, na própria vida. É a vida que é bela e nós fazemos parte dela.   

Ernest Hébert, 1910, revista francesa Je Sais Tout


"...aquela criatura desamparada, cujos olhos desvairados não enxergam nada além do que vem de dentro, o qual, cabelos soltos, logo entrará suavemente na correnteza que a carregará -- uma flor colhida entre tantas outras colhidas -- para um mundo mais longe que aquele no qual sua loucura já é uma expressão"


"truly that helplessly abandoned ideal creature, whose hallucinating eyes see nothing more than what is within, and who, hair loosened and streaming down, will in a few moments enter gently into the stream which will carry her--a cut flower among other cut flowers--away to that world beyond whereof her madness is already an expression".