Cartas a Ofélia

Cartas a Ofélia
Cartas a Ofélia

segunda-feira, 2 de julho de 2012


Tecendo Cartas 



Nas últimas três semanas, ondas de sentimentos tomaram conta de nossos corpos. Lágrimas que se misturam  entre angústia e felicidade, atriz e personagem , decepção e determinação ameaçam e escorrem.
Livros, rabiscos e textos tomam conta de nossas escrivaninhas, materiais concretos e palpáveis são apresentados e explorados nos ensaios. Concentração e atenção, nunca foram tão importantes e  palavras simples como ação e personagem tão profundas, confusas e claras.
Como atrizes, devemos compor nossos personagens, seus gestos, suas ações, seus movimentos e intenções. Descobrir de onde vem suas motivações. Ação, contra-ação, contração, expansão,  respiração, primeiro e segundo plano. Atuar é uma arte racional e artesanal. Mas no meio desses detalhes como encontrar a emoção que a cena exige? Como manter a cena viva todos os dias? Calma é necessária e ansiedade só atrapalha na busca eterna que permeia essas respostas.  O mergulho é obrigatório. Nada garante que porque hoje deu certo, amanhã também dará. Recriar pode ser muito mais difícil que criar. Uma vitória pode vir carregada de derrotas e uma derrota carregada de vitórias, tudo depende do olhar de nós sobre nós mesmas.
Cartas a Ofélia está nascendo e já começa a ultrapassar nossas expectativas, uma senhorinha envergonhada, uma costureira contadora de histórias, uma faxineira sonhadora, Elaine, Vanessa, Daniela, Vancllea, Maria, Caroline, Helena, Judith, Lucila, Paulina, Maysa, Lorena, Luiza,  a Rainha Gertrudes e claro o o fio condutor do espetáculo, Ofélia, entre tantas outras mulheres que vem nos escrevendo e dividindo seus pensamentos e angústias  tecem a existência dessa obra, narrando história vividas, escritas, criadas e recriadas de mulheres reais e fictícias.