Cartas a Ofélia

Cartas a Ofélia
Cartas a Ofélia

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Clarice Lispector

Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que, por admiração, se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos. 

Ser bela


A beleza se encontra em tantos lugares... temos a beleza física que muitos estudiosos relatam que se encontra na simetria do rosto, e das formas... nos dias de hoje a beleza é o corpo magro, que cabe nas roupas dos costureiros, um corpo sem formas... a beleza pra mim é algo que vem de vários lugares, é a junção do estado da minha própria vida, de aceitar minhas formas como elas são, de perceber que meus defeitos geram harmonia e graça, é conseguir me sentir bem com o que faço é andar no caminho que escolhi independente do que a sociedade me diz, apesar de ser inserida nela, quando isso acontece me sinto realmente bela!
Vejo que as mulheres de hoje querem se igualar aos homens até mesmo pelo corpo, buscando um corpo mais forte, músculos aparentes e fortes, buscando sua independência e afastando a submissão. Posso ser forte também! Posso guiar minha vida! Posso caçar também! Busco minha própria comida! Sou forte também! A força hoje significa ser belo, mas  a força externa é tão importante assim? Será que a força está realmente aí? Algo muito primitivo não? Somos ainda muito primitivos... a beleza está sim na harmonia do homem com seu meio ambiente, com seu próprio ritmo, suas formas aceitas, seu amor exprimido no mundo em que vive, na aceitação da morte como renascimento. A relação que falta hoje é do homem e de onde ele veio, sua própria natureza. Perdemos isso!!! Perdemos nosso próprio ritmo!!! Ser belo é ser harmônico com a vida. É o respeito que temos com nós mesmos, nos amamos e conseguimos transmitir amor, nos respeitamos e conseguimos respeitar. A beleza é presente nas próprias relações, na própria vida. É a vida que é bela e nós fazemos parte dela.   

Ernest Hébert, 1910, revista francesa Je Sais Tout


"...aquela criatura desamparada, cujos olhos desvairados não enxergam nada além do que vem de dentro, o qual, cabelos soltos, logo entrará suavemente na correnteza que a carregará -- uma flor colhida entre tantas outras colhidas -- para um mundo mais longe que aquele no qual sua loucura já é uma expressão"


"truly that helplessly abandoned ideal creature, whose hallucinating eyes see nothing more than what is within, and who, hair loosened and streaming down, will in a few moments enter gently into the stream which will carry her--a cut flower among other cut flowers--away to that world beyond whereof her madness is already an expression".



sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Sobre o processo e as Mulheres

" Se uma de nossas grandes questões era dar voz às mulheres do passado, fazia-se necessário dar voz às mulheres do presente. Criar e conforntar num diálogo as mulheres de ontem com as de hoje seria possibilitar a ressonância, o eco e a resistência. Por isso, optamos pela interatividade - pautada pela sencibilidade e pela delicadeza, o tensionamento e a fricção dessas duas realidades, separadas por um século, tal estrutura nos possibilita, a cada apresentação, uma experiência nova, um momento único."


                                                                     Sobre HYSTERIA: tema e pesquisa do Grupo XIX de Teatro




Achei essa citação a  nossa cara.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Cartas a Ofélia

Só hoje percebi que Cartas a Ofélia é uma obra que falará sobre o amor: o amor da menina pelo pai, o primeiro amor, o amor das atrizes pelo palco, o amor de Ofélia por Hamlet, os vários amores de algumas mulheres, suas desilusões amorosas, suas conquistas amorosas...
Ah! O amor! E, eu que fugi tanto desta questão me vejo agora amando...

sábado, 13 de agosto de 2011

A Origem de Ofélia

Uma possível fonte histórica de Ofélia é Katherine Hamlet, uma mulher jovem que caiu ao Rio Avon e morreu afogada, em Dezembro de 1579.




Embora se tenha concluído que a jovem se desequilibrou enquanto carregava bastante peso, os rumores da altura indicavam que sofria de uma desilusão amorosa que conduzira ao suicídio. É possível que Shakespeare se tenha inspirado nesta tragédia romântica na criação da personagem Ofélia. O nome Ofélia nunca fora usado antes desta obra