Cartas a Ofélia

Cartas a Ofélia
Cartas a Ofélia

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Submissa?

"Quem não sabe mandar deve aprender a ser mandado."
Shakespeare

Ofélia. Oféliaaa... OFÉLIA. O fé li a.. Ofélia.

ONTEM

Ontem pela primeira vez saímos da nossa sala de ensaio com a instalação. Como foi bom, estranho e curioso ao mesmo tempo. Foi completamente diferente do que imaginava. De repente, estavam ali, andando pelas NOSSAS grades os personagens tantas vezes comentados na salinha de Yoga do prédio da Van. Hamlet, Polônio, Rainha e Laertes, chamando pelos nossos nomes, mexendo em nossos cabelos, gritando, sussurrando e falando com a gente. ELES EXISTEMMMM!!
E agora? Foi a primeira coisa que pensei. Como reagir àquelas presenças? Aquelas ordens? Que vontade de não obedecer, de encarar,  rir,  chorar,  fugir, abraçar, tocar e  estar junto. Como encarar aqueles novos elementos?
Confesso que no começo fui um pouco resistente, senti como se tivessem invadido nosso espaço. Nosso "fantástico mundo de Ofélias" deixava de ser só nosso. Pessoas estavam ao nosso redor, o espaço era outro, minha visão periférica desaparecia e não conseguia compor. Ao longo do "exercício" percebi que NÃO NAO, DEFINITIVAMENTE NÃO era isso que interessava naquele momento. Não interessava a instalação "bonitinha", com cenas e movimentos "bonitinhos" que as pessoas que estavam assistindo achassem "legal". O que importava naquele momento era exatamente o contrário "A QUEBRA DA FORMA" e a vivencia do momento.
De alguma maneira as composições e formas já estão em mim. O que eu tinha que aproveitar eram os novos elementos que aqueles quatro atores incríveis tinham a me oferecer. Aí sim, permiti que a troca acontecesse! E daí por diante a tarde foi deliciosa!
Obrigada Diogo,  Nelsinho, Sandrinha e Rogério. Vocês são muito especiais.
Pena que só deu para deixar um gostinho de quero mais. Vamos marcar outro encontro? O que acham?

Ofélias e as sombras!

Voltei de viagem com mais vontade ainda, com muitas certezas... Nosso ensaio ontem foi tão interessante, as vozes deram um corpo e uma voz literalmente a obra. Submissão foi o que senti a maior parte do tempo. Também um lado da Ofélia que não conhecia a esperteza. Ela consegue o que quer, mesmo dentro de uma realidade opressiva. Quando não quer mais ela morre. Muito obrigada aos meninos que trouxeram com maestria os personagens e o corpo masculino, o lado do homem da sociedade, foi essencial a figura de vocês. A Sandra com sua incrível e linda voz e alma, nossa rainha, que trouxe doçura, o eterno feminino. AS MENINAS LINDAS OBRIGADA!

Agradecimentos

Muito obrigada a Rogério, Nelsinho, Sandra e Diogo que gentilmente nos presentearam com suas vozes e com seu tempo. A tarde foi agradabilíssima e muito produtiva... Esperamos vocês para uma vivência Viewpoints Tempo. Quando quiserem a casa é de vocês. Sintam-se sempre mais que a vontade em nosso projeto. Ofélias agradecem

a obra começa a ter voz!

Certa tensão com o horário... os figurinos vão ficar prontos? Os convidados estão a caminho? Será que eles se interessarão pelo trabalho? Esperamos que sim. O espaço é novo para a instalação, e que bom que a Dani está de volta. A Van (cllea) explica o trabalho aos nossos novos personagens, Nelsinho como Hamlet, Rogério como Laertes, Sandrinha como Rainha, só falta o Polônio. Eles estão apreensivos, talvez pensem, o que estamos fazendo aqui? Mas a Van, com o dom da palavra, fala tudo com tanto amor, tão segura quanto à pesquisa que não deixa dúvidas: vamos começar! Sigam as meninas em suas grades, experimentem essa sensação... e de repente, Ofélia! Ofélia!! Ofélia!!! E lá estavamos nós vivenciando algo completamente novo. Os olhares, as vozes, o toque, a respiração, a expressão... fortes, presentes, marcantes... que poder eles exercem sobre nós, sobre a Ofélia, sobre cada Ofélia. Únicas, porém em sintonia. Chega o Polônio, Diogo. Gravando. A obra começa a ter voz... que bom, demos mais um passo. Aos novos participantes: obrigada!

sábado, 19 de junho de 2010

o que comunica...

De onde surge o movimento? Eu posso escolher, determinar um ponto do meu corpo que comanda o movimento? Isolar uma parte desse corpo e deixá-la imóvel? Qual é o resultado dessa tentativa? Vejo que o corpo é uma coisa só e que isolando um braço, mexendo a cabeça, ou o dedão do pé, não importa, isso reverbera pelo corpo todo. Tanto o movimento, quanto a ausência dele nos dizem algo. Nesse último ensaio notei que tornar esse algo interessante é ouvir o que o corpo tem a dizer e acreditar no que ele quer comunicar. Melhor ainda é comunicar em conjunto, dois ou três corpos que se percebem, que se escutam, que se respeitam. As propostas foram deliciosas, foi muito bom contar uma com a outra e dividir essas sensações. De onde surgiram meus movimentos? Do que elas me ofereceram...

terça-feira, 8 de junho de 2010

A tensão tensiona? Sobre o ensaio de hoje

O teatro e o drama são tão estreitamente relacionados, tornando-se quase idênticos na consciência (inclusive de muitos teóricos do teatro), como um par que não se desgruda, por assim dizer, que toda transformação radical do teatro sofre a resistência obstinada da concepção do drama como latente noção normativa do teatro. Quando o modo de falar cotidiano identifica drama e teatro (ao sair do teatro o espectador afirma que gostou da "peça" quando na verdade se refere à montagem, e de todo modo não há distinção clara entre ambas), no fundo não está tão distante de grande parte da  crítica e da literatura especializada. Pois também nelas, pelo uso das palavras e por uma equivalência implícita ou mesmo manifesta do teatro com o drama montado, a pressuposição de uma tendência de identificação das duas instâncias - afinal de contas falsa - é consagrada e inadvertidamente convertida em uma norma. (Hans-Thies Lehmann O teatro pós-dramático)