Cartas a Ofélia

Cartas a Ofélia
Cartas a Ofélia

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Os Loucos de Shakespeare




É ... ao mundo moral que pertence a loucura do justo castigo. Ela pune, pelas desordens do espírito, as desordens do coração. Mas ela tem outros poderes ainda: p castigo que inflige se multiplica por si mesmo, à medida que, punido, revela a verdade. A justiça dessa loucura tem isso, ela é verídica. Verídica, porque já o culpado sofre, no vão turbilhão de seus fantasmas, o que será para a eternidade a dor de seu castigo...Verídica também, porque o crime escondido aos olhos de todos vem à luz na noite desse estranho castigo; a loucura , nessas palavras insensatas que a gente não se domina, entrega seu próprio sentido, ela diz, em suas quimeras, sua secreta verdade; seus gritos falam  por sua consciência. Assim, o delírio de Lady Macbeth revela "aos que não deveriam saber" as palavras que por muito tempo não foram murmuradas salvo aos "ouvidos moucos"
Enfim, último tipo de loucura: a da paixão desesperada. O amor desiludido em seu excesso, os amor sobretudo enganado pela fatalidade da morte não tem outra saída senão a demência. Enquanto tinha um objeto, o louco amor era mais amor que loucura; deixado à sua própria sorte prossegue no vazio do delírio. castigo de uma paixão demasiado abandona à sua violência? Sem dúvida, mas essa punição é também uma mitigação; ela espalha sobre a irreparável ausência a piedade das presenças imaginárias; ela reencontra no paradoxo da alegria inocente ou do heroísmo de perseguições insensatas a forma que se apaga. Se conduz à morte, é uma morte onde os que se amam jamais serão separados. É, a última canção de Ofélia...
Em...Shakespeare, a loucura  ocupa sempre um lugar extremo no sentido de que não tem reindulto. Nasa a conduz jamais a verdade nem a razão.  Ela só se abre para o dilaceramento e daí para a morte. A loucura, em seus vãos propósitos, não é vaidade ; o vazio que a preenche é "um mal muito além do meu conhecimento"' como diz o médico a propósito de Lady Macbeth; já é a plenitude da morte:um loucura que não tem necessidade de medico, mas unicamente misericórdia divina. A doce alegria , reencontrada enfim por Ofélia, não se reconcilia com nenhuma felicidade, seu canto insensato  está tão próximo do essencial quanto o "grito de mulher" que anuncia ao longo doa corredores do castelo de Macbeth que "a rainha está morta"

Michel Foucault, Histoire de la Folie, 1961, p.46-47. [Trad. bras.: História da Loucura, São Paulo, Perspectiva, 1978, pp.38-39.]

2 comentários:

  1. Eu sou Ofélia,
    Sou de nome,
    sou de destino,
    este é o meu fado,
    esta é quem também sou...
    Tenho o nome, tenho uma história
    só espero não ter o mesmo destino...
    Sou Ofélia sonhadora de não morrerei,
    quero que de mim se fale e sonhe não como uma derrota mas como vitoria do amor e da vida!

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  2. Ofélia , seu nome é abençoado por uma das mais lindas histórias de amor narradas pelo homem. Espero que possa assistir nosso espetáculo que estreará em outubro. Obrigada pela visita e comentário.

    Bjs

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