Minha mãe sempre conta que quando eu era pequena, bem pequenininha eu tinha mania de tirar os brinquedos de uma caixa e colocar na outra, depois eu tirava da outra e colocava de volta na primeira.
Nessas caixas eu guardava o que na época eram meus tesouros.
Durante minha infância meu pai tinha mania de filmar tudo que via, lembro dele filmando minhas apresentações de Ballet, meus aniversários, nossas viagens de família. Esses vídeos estão em caixas. Nessas caixas guardo a história da minha família.
Nunca tive facilidade de falar de sentimentos, por isso, na adolescência aprendi com uma amiga a escrever cartas sobre aquilo que não tinha coragem de falar. Algumas cartas cheguei a entregar, mas a maioria ficou guardada em caixas.
Nessas caixas eu guardava meus segredos.
Aos 20 anos, saí de casa e fui morar em Londres, foi a fase mais importante da minha vida, foi quando comecei a deixar de ser menina, as lembranças dessa época estão guardadas em uma caixa em baixo da minha escrivaninha.
Nessas caixas eu guardo algumas memórias.
As lembranças dos meus avós que se foram, estão guardadas em caixas no quarto dos meus pais.
Nessas caixas guardo minha origem.
E foi abrindo essas caixas que descobri um pouco mais do que fui, do que sou e talvez até do que me tornarei. Resolvi então mostrar a vocês o que encontrei nessas caixas, mas para não me revelar usarei outro nome, durante esse período meu nome será Ofélia. Abrirei essas caixas dentro de outra caixa, uma caixa preta chamada teatro, uma caixa que guarda sentimentos, memórias, histórias, momentos, reflexões, amores e experiências. Uma caixa que guardará quem eu sou de hoje para sempre.

Que lindo, Elaine! Estou ansiosa para que possamos compartilhar-nos umas com as outras. :)
ResponderExcluirTbm!! Vem logo!
ResponderExcluirBjs