Cartas a Ofélia

Cartas a Ofélia
Cartas a Ofélia

terça-feira, 5 de julho de 2011

Dessas coisas inexplicáveis, inesperadas e confusas que surgem nos ensaios...

Me incomoda, tudo vai, segue, gira e acaba voltando para o mesmo lugar. A mesma dor, o mesmo ponto de partida. Por dentro estou completamente livre, mas por fora não consigo me libertar. A passagem de um para o outro é muito dolorida, talvez arranque meus cabelos. E os seus? Dá seus cabelos pra mim? Eu quero tê-los. Eu quero ter seu rosto, se desmancha comigo? Se desfaz. Não quero me redimir. Eu escolhi, pronto. Você respira o meu ar, todos estão respirando o meu ar e ele está acabando, mas tudo bem, não ligo mais pra isso... só para a dor, que está na pele agora. Rasgando até ficar leve. 







Através de mim... Kiki Smith(obra acima)... e das lindas imagens que a Dani e a Lê me ofereceram nesta manhã tão fria...
vocês me aqueceram.
obrigada.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

solo

uma boa dividir! quando iniciei meu solo estava com mil idéias adorei o que fiz, depois passei um tempo longe dele no momento de minha mudança de casa. Hoje volto a ele e ele mudou também não consigo organizá-lo, marco o tempo e dá tudo errado, depois coloco uma música e não dá certo. Não acho uma música!!!! procuro, procuro, procuro e não acho. Começo a falar e não quero falar, depois fico nos movimentos e me dá vontade de falar, os liames não aparecem faço cenas separadas, mas quero uni-los. Para ser sincera, adoro isso, quando  preciso descobrir algo, pesquisar, pode ser meio masoquista, mas adoro desafios. E este é um bem grande pra mim!!! Também sinto uma grande mudança na entrada da 4 ofélia, algo já mudou!

sábado, 2 de julho de 2011

O que eu faço?


Meu solo até que tem coisas interessantes, mas não paro de desistir de movimentos, idéias e transformar trechos....não tenho noção de como ele está ou ficará. O tempo passa, me pressiona. A Vancllea chegará em São Paulo em TRÊS semanas e nada do meu solo ficar pronto...apenas idéias jogadas pela sala e gravadas no computador. Angústia é a palavra do momento... O tempo é o inimigo...e a falta dele também. Hoje ensaiei, criei e desisti de muitas coisas. O solo se modifica, se transforma a cada dia, cada segundo. Quando saberei que ele está pronto? Será que um dia ficará pronto? O que apresentareiiiiiiiiiiii????? Ahhhhh que vontade de gritar!!
Apos ensaiar achei as seguintes frases escritas por mim em uma folha de papel . 
“ O tempo é um fator fundamental na criação”
“Para chegar a resultados válidos, devem-se encontrar obstáculos e resistência, passar por momentos de crise e confronto, ter a paciência de esperar que os resultados apareçam quando acharem justo”.
Ambas são citações do livro Pedras d’água de Julia Varley
De certa forma me senti aliviada, mas insisto em perguntar . O que eu faço com a minha falta de paciência? Com essa minha ansiedade que não me deixa em paz? Com esse medo de não conseguir? Com essa angustia de me sentir incapaz? Como esperar esses resultados aparecerem quando quiserem se a vida moderna nos obriga a ter datas e limites? Se o tempo se torna nosso melhor amigo e de repente nos surpreende com um rasteira?

sexta-feira, 1 de julho de 2011

O que me move?


O que me move é saber que apesar das relações-humanas estarem cada vez mais superficiais a essência humana ainda grita e pede por carinho, amor, respeito... E é por isso que a arte e o teatro não morrem, porque onde encontramos arte, encontramos também essa essência que vibra nos palcos atingindo e proporcionando a experiência da vida que está no aqui e no agora, no presente que o mundo nos entrega a cada dia, a cada minuto e a cada segundo. É o valor dessa experiência que me move e me mantém viva e é a idéia de poder dividir essa experiência, junto com valores e reflexões seja ele sobre o que for, contanto que se torne necessário para ambas as partes. que me faz continuar trilhando o caminho  do teatro, essa arte que acredito ser a transposição da essência da minha vida ao outro.

domingo, 26 de junho de 2011

Pois

- Esses dias para trás percebi três palavras que me têm sido essenciais no momento presente da vida. Verbo: assumir (o que se é ou não se é, o que se tem ou não se tem, o que se sente ou, simplesmente, não se sente); substantivo: respeito (por ser e pelo ser); e, adjetivo: honesto(a) (consigo mesmo, com a sua arte/seu ofício, com o que se faz, com as suas pessoas). Creio que estejam fundamentalmente interligadas ou mesmo que sejam interdependentes.
É só isso. Achei válido tomar nota. -



Escrevi essa nota às 2h de hoje no Facebook. Estava com a senha do blog há quase uma semana, mas não sabia bem como me apresentar inicialmente. Cri que podia compartilhar isso na minha primeira postagem como uma tentativa de estabelecer contato, pois descreve bem como me sinto e quem sou, em tempos atuais.
Sem querer me prolongar muito: olá a todas!

terça-feira, 21 de junho de 2011

Liames

 Dirigir uma obra cênica que se propõe atuar no campo da dança e do teatro é trabalhar com liames, dentro deles.
Liame eis uma palavra que faz parte do meu vocabulário desde que comecei a atuar como diretora em 2001. Liame é o que liga uma coisa a outra. É este ou aquele espaço de ligação entre duas ou mais coisas.
 Já pensei nos liames entre o gesto e a palavra, entre a ação e o movimento, entre o corpo e o espaço, entre o objeto e o corpo, entre um corpo e outro, entre partes do mesmo corpo, enfim...
Hoje penso em liames entre Brasília e São Paulo. Decidi que quero sim o desafio de criar uma obra tendo parte do elenco em uma cidade e parte em outra. O que nascerá deste liame, destes liames o processo dirá mas a idéia de ter 3 atrizes paulistas e apenas uma brasiliense já me traz novas indagações, outras inspirações e suaves inquietudes.

terça-feira, 14 de junho de 2011


Eu comecei a lembrar, lembrar, lembrar e o meu pensamento parecia um parafuso sem fim, afundando na memória, eu não suportava mais lembrar de tudo o que se perdeu, tudo o que perdi, não fui e não fiz, mas não conseguia parar.